Empreendedora fatura R$ 14 milhões com franquia de cookies

A história de Natalie Pavan, 33, no mundo do empreendedorismo teve início em meados de 2014. Na época, a bacharel em direito era gerente administrativa de uma empresa em Campo Grande (MS), quando resolveu desenvolver uma receita de cookie para oferecer ao marido, Paulo Ifran, 32, e a amigos e familiares. Em 2020, a MyCookies, rede de franquias do casal especializada no doce americano, chegou a R$ 14 milhões de faturamento e tem hoje 60 lojas espalhadas por cinco estados.

Natalie conta que a ideia surgiu a partir do apetite de Paulo pela delícia. “Ele sempre comprava um cookie que custava R$ 12. No entanto, como ele comia três ou quatro, na época ficava um pouco caro. Eu resolvi fazer, mas ele achou que não ficaria igual. Isso mexeu com o meu brio e eu disse que faria melhor do que aquela receita”, relembra a empreendedora.

Dessa forma, ela passou a estudar os ingredientes para achar as melhores combinações de sabores. Uma nova fornada era feita a cada 15 dias, sempre com a modificação dos ingredientes da receita anterior. Um determinado dia, ela finalmente chegou ao ponto ideal. Depois, para incrementar o trabalho, passou a rechear as delícias com creme de avelã e brigadeiro.

De maneira paralela à sua atividade profissional, as vendas começaram no final de 2016, na porta de escolas. Com a aceitação dos clientes, Natalie resolveu alugar um espaço dentro de um supermercado da rede Walmart, na capital sul-mato-grossense. O prazo para pagar o aluguel era de 30 dias, mas ela não possuía capital nem mesmo para bancar o balcão que armazenaria os produtos, que foi quitado de forma parcelada com a marcenaria.

“Apesar da crise econômica (em 2016), o primeiro ano foi muito bom. A gente vendia a R$ 3. Depois de quatro meses, resolvemos abrir uma segunda unidade, dessa vez no shopping. Foi muito diferente porque exigiu um projeto e infraestrutura”, disse.  “As pessoas falavam: ‘você acha que vai pagar uma operação em shopping vendendo cookies a R$ 3?’. A gente vendia e muito.”

Durante um ano, Natalie conciliou a carreira de gestora com a produção. Após um dia inteiro de trabalho, chegava em casa e começava a preparar a massa que seria assada no dia seguinte, no quiosque. “No meu forno, cabiam oito por vez, meu freezer também era residencial. Eu não tinha grana, mas consegui montar um negócio no começo. Já no primeiro mês, com o boca a boca e investimento de mídia no Instagram, caimos no gosto das pessoas”, disse.

Os anos seguintes foram de crescimento e consolidação da rede. Ao final de 2017, a MyCookies contabilizava quatro lojas abertas. Em 2018, ano da primeira franquia, eram 10. Em 2019, visto como o melhor ano da empresa, o número de unidades chegou a 30 e a receita registrou alta de 254%, para R$ 13,8 milhões. Em 2020, eram 50 lojas em dezembro – as outras 10 foram abertas em 2021, mesmo sendo um ano mais desafiador do que o anterior, nas palavras da empresária.

Para aperfeiçoar o processo de franqueamento da marca, Natalie cursou um MBA em gestão de franquias na Fundação Instituto Administração (FIA), em São Paulo. Hoje, das 60 unidades, oito são próprias, divididas entre Cuiabá (MT) e Campo Grande (MS), onde também conta com um drive-thru, em que o consumidor pode fazer e retirar o pedido sem sair do carro.

Outros pontos estão localizados nos estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Na capital paulista, há um centro de distribuição, que é abastecido com carretas que levam de 3 a 4 toneladas direto da fábrica, em Campo Grande (MS), para fazer o escoamento para os demais estados de acordo com a demanda.

Durante o período de isolamento, os planos de abrir novas lojas foram afetados. Por isso, o foco passou a ser no aumento da capacidade de produção, o que levou a um investimento para reestruturar a fábrica. Com as reformas, a capacidade saiu de 500 mil cookies por mês para 5 milhões.

Hoje, o cardápio tem um sortimento de 10 sabores fixos e edições limitadas para o Dia das Mães, Natal e Dia dos Pais. Quando tem um bom desempenho, o sabor sazonal pode ser incorporado de vez ao menu. O campeão de vendas, de acordo com Natalie, é red velvet com chocolate branco e brigadeiro de leite em pó – o sabor é o preferido dos clientes e vende o dobro do segundo lugar, de brownie com castanhas. Há, ainda, os artesanais de brigadeiro e de doce de leite, entre outros.

Cookies artesanais recheados

Segundo a empreendedora, para superar as dificuldades impostas no começo da Covid-19 às lojas próprias e aos 30 franqueados, além de aderir aos aplicativos de entrega tradicionais, como IFoodRappi e Uber Eats, e utilizar o app da marca, foi necessário rever parte do processo de venda. O atendimento também ocorreu em redes sociais como WhatsApp e Instagram.

“Fomos nos adaptando e passamos a entregar onde o cliente desejasse. Houve mudanças nas embalagens das lojas para manter a mesma experiência no delivery, já que gostamos de servir quentinhos, com uma nova fornada a cada 15 minutos. Cada franqueado tem o seu Instagram, então também começamos a fazer lives, mostrando a produção e criando promoções ao vivo”, explica.

Com a Covid-19, a produção mensal no ano passado variou entre 300 mil a 350 mil cookies, queda de cerca de 25% sobre 2020. Por outro lado, os planos para a franquia foram reforçados e o objetivo é dobrar o número de lojas em relação ao último ano. Em dezembro, Natalie e Paulo esperam ter 100 unidades e alcançar a marca de R$ 17 milhões em receita.

Para chegar lá, a estratégia é entrar em supermercados, com cookies congelados, e aumentar a comercialização de outros itens do cardápio, que mescla cookies com sorvetes e tem chás, bebidas geladas, salgados e cafés. “A gente tem sentido uma melhora na procura de franquias. No segundo semestre, com a recuperação da economia, esperamos vender de 5 a 8 franquias por mês”, finaliza.

Franquia – MyCookies

Para ter uma franquia da My Cookies, o investimento inicial no quiosque de 6m² a 9 m² é de R$ 67,5 mil, mais taxa de franquia de R$ 35 mil e outros R$ 15,6 mil necessários para estoque. No caso das lojas de rua com tamanhos entre 40m² a 100m², o aporte inicial é de R$ 147,9 mil, mais R$ 44 mil de taxa de franquia e R$ 15,9 mil para estoque inicial, além de royalties fixos de R$ 1 mil.

Fonte: Pequenas Empresas e Grandes Negócios